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Agricultura

A agricultura é o maior utilizador de água em Portugal, responsável por cerca de 75% do consumo. Simples alterações comportamentais de procedimentos incorretamente instituídos no manejo da água são tão relevantes para a redução do consumo de água como as alterações tecnológicas.

Impacto da falta de água na agricultura

  • Quebras de produtividade relevantes nas atividades agrícolas que suportam a alimentação animal, culturas forrageiras e pastagens.
  • Consumo antecipado das reservas existentes destinadas ao período estival ou mesmo o desvio para pastoreio de áreas de cereais para grão.
  • Esforços adicionais para conseguir o abeberamento dos animais.
  • Os cereais para grão registam quebra de qualidade e de rendimento.
  • As restrições de disponibilidade de água para rega levam à redução de áreas semeadas nas culturas de primavera/verão, designadamente arroz, milho para grão, tomate para indústria, melão e batata.
  • Os custos de produção sofrem agravamento pela intensificação e antecipação da rega, em particular nas culturas permanentes.

Metas a atingir

  • Eficiência de utilização da água na agricultura de 65%;
  • Redução dos custos de produção e aumento da rentabilidade económica das explorações agrícolas;
  • Adoção de boas práticas agrícolas com vista a reduzir a utilização de fertilizantes e produtos fitossanitários, como medida de proteção dos recursos hídricos.

Medidas que incentivam a alteração de comportamentos

  • Implementação do cálculo da Pegada Hídrica das culturas agrícolas, que permita definir metas de redução dos consumos de água;
  • Normas para boas práticas: elaboração de normas técnicas a adotar pelos agricultores para aumentar a eficiência do uso da água;
  • Realização de ações de sensibilização, informação e formação, direcionadas para os agricultores, visando a aplicação das normas de boas práticas e o desenvolvimento de nova atitude relativamente à valorização da água;
  • Realização de ações de formação orientadas para os gestores e operadores dos sistemas de abastecimento de água.

Em situação de seca, a escassez de água agrava-se e uma gestão eficaz torna-se ainda mais premente. Neste contexto:

  • Opte por culturas menos exigentes em água e melhor adaptadas a situações de seca;
  • Ajuste, diminuindo as áreas efetivamente regadas;
  • Sempre que a cultura o admita, mantenha a cobertura do solo, de modo a diminuir as perdas de água por evaporação do solo.

Adequação/ reconversão de equipamentos

  • Redução das perdas de água no sistema de condução.
  • Armazenamento:
    • Reabilitação dos reservatórios.
  • Transporte e distribuição:
    • Automatização da gestão e controlo das estruturas hidráulicas;
    • Construção de reservatórios de compensação;
    • Impermeabilização de canais;
    • Manutenção e conservação dos canais e condutas;
    • Realização periódica de auditorias ao sistema de rega;
    • Melhora da qualidade dos projetos.

Redução do consumo através da adequação dos volumes de rega às necessidades hídricas das culturas

  • Adesão a sistemas de aviso agro-meteorológicos;
  • Automatização e adequação de procedimentos na rega por gravidade ou reconversão para outros métodos de rega adequados às culturas, aos solos e às condições topográficas;
  • Adesão a serviços de apoio à gestão da rega e qualidade da água.

Na sua parcela:

  • Utilize práticas agronómicas que promovam a retenção da água e posterior infiltração (por exemplo, armação do solo em covachos ou mobilização mínima);
  • Instale cortinas de vento (sebes) em redor da parcela, para minimizar a evaporação;
  • Use eficazmente os fertilizantes e produtos fitossanitários de modo a garantir a qualidade da água;
  • Faça com frequência inspeções ao sistema de rega e elimine as fugas assim que detetadas;
  • Faça periodicamente a manutenção do equipamento de rega.

Boas práticas na aplicação das águas às culturas

Quando regar?

  • Sempre que possível, regue durante a noite. Se não for possível, regue nas horas de menor calor;
  • Evite regar quando a velocidade do vento ultrapasse os 20 km/h e a direção do vento for paralela ao deslocamento do equipamento de rega;
  • Programe a rega tendo em conta o tarifário energético mais económico.

Como regar?

  • Adeque a frequência da rega ao tipo de solo;
  • Utilize sempre aspersores com uma taxa de aplicação inferior à taxa de infiltração média do tipo de solo;
  • Diminua o mais possível a altura do aspersor em relação à cultura;
  • Selecione o equipamento mais adequado para cada tipo de solo. Consulte um técnico credenciado para projetar o sistema de rega.
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